O que é Ictiose e Como Tratar

Hoje conheceremos o que é ictiose e quais são as suas características.

Essa doença também é popularmente chamada de “doença da escama de peixe”, e cientificamente, é um conjunto de condições que acarretam mudanças na epiderme, a camada mais superficial da pele.

Essa enfermidade é considerada uma doença rara, já que atinge menos de 150 mil casos por ano no país.

É um problema crônico, pois pode durar alguns anos ou durante toda a vida do paciente. Ela requer tratamento, porém, não tem cura.

Tais alterações na epiderme, fazem com que a pele do indivíduo fique extremamente seca e em alguns casos bastante espessa.

Devido a tal ressecamento, ocorre a descamação, fissuras ou até pequenas feridas; a partir deste quadro, a pele fica muito parecida com escamas de peixe.

Cabe ressaltar, que na literatura médica há cerca de 20 tipos de ictiose diferentes.

Essa enfermidade pode ser passada de pais para filhos, ou seja, de forma hereditária; como também em alguns casos, pode aparecer apenas na idade adulta de uma pessoa, denominada de ictiose adquirida.

Os ressecamentos e manchas da ictiose surgem, normalmente, em algumas regiões específicas do corpo como nos pés, nas pernas e na região do tronco.

Em caso de desconfiança da doença, é muito importante procurar um médico especializado: um dermatologista.

Entretanto, existem pacientes que desenvolvem o problema por toda a área corporal, o que ocasiona em diversos problemas físicos, psicológicos e até emocionais.

O médico poderá atestar se realmente se trata de ictiose e recomendar a forma mais assertiva de tratamento.

Apesar desta enfermidade não ter cura, os cuidados dispensados no dia a dia podem aliviar os incômodos causados pelas alterações de pele.

Por que ocorre a ictiose?

Esta doença acontece devido a uma mudança de genes que compilam uma proteína chamada filagrina, uma das substâncias responsáveis pela hidratação, bem como pela impermeabilidade da pele.

Conforme anteriormente citado, na maioria dos casos ela pode ser de origem genética. Ademais, não existe uma etnia ou gênero mais suscetível à doença.

Quais são os sintomas da ictiose?

Apesar de existirem diversos tipos da doença a mais comum é a “ictiose vulgar”.

Os sinais variam de acordo com cada paciente, entretanto, há alguns sintomas predominantes na maioria dos casos que são:

  • O surgimento de linhas na “planta” dos pés e nas palmas das mãos;
  • A aparência da pele fica idêntica a escamas de peixes;
  • Ocorre aumento do ressecamento da pele e descamação da mesma.

Quando a pessoa não herda a doença, estas características só surgem na idade adulta do indivíduo.

Todavia, em casos de hereditariedade, logo no primeiro ano de vida e até mesmo em seguida ao nascimento, o bebê já apresenta os sintomas.

Estes sinais tendem a avançar conforme a pessoa vai envelhecendo.

Ademais, quando a enfermidade é mais grave os sintomas surgidos na infância podem acarretar a descamação da pele, do couro cabeludo, da “planta” dos pés e mãos.

Além disso, ocorre coceira intensa.

Em situações de muito frio e tempo seco, os portadores da ictiose tendem a sofrer ainda mais com o ressecamento da pele e a escamação.

Todavia, o clima quente e úmido favorece a diminuição dos desconfortos provocados pela doença.

Preciso de um médico para o diagnóstico?

Sim. É recomendado que ao notar este tipo de sinais a pessoa procure um profissional da saúde.

Independentemente se for em adultos ou crianças, pois, existem outras enfermidades que possuem características parecidas com as supracitadas, a saber: a xerose cutânea ou hanseníase.

Para diagnosticar o indivíduo, geralmente, os dermatologistas seguem o seguinte protocolo:

  • Observação do ressecamento e das escamas da pele do paciente;
  • Para suspeitos de ictiose hereditária: são realizados testes e até consulta com um especialista: o geneticista;
  • Algumas vezes é examinada a saliva do indivíduo, para averiguação de possíveis alterações genéticas;
  • Em caso de ictiose adquirida a observação e uma pequena biópsia cutânea já são capazes esclarecer o quadro do paciente.

Dessa forma, é de primordial importância a avaliação médica para se certificar sobre o problema de pele.

Quais os tipos de ictiose?

Imediatamente após entendermos o que é ictiose e os seus sintomas, agora vamos conhecer os tipos da enfermidade de forma mais detalhada.

O que é ictiose hereditária:

Conforme dito anteriormente, ela é passada dos pais para os filhos e precisa ser observada com atenção, pois em alguns casos ela afeta mais do que apenas a pele: às vezes prejudica o funcionamento de outros órgãos do corpo humano.

Dentro da literatura médica, são listados 5 tipos de ictioses, a saber:

  • Ictiose vulgar;
  • Ictiose lamelar;
  • Hiperceratose epidermolítica;
  • Eritrodermia ictiosiforme congênita;
  • Ictiose ligada ao cromossomo X.

Também é de suma importância salientar que em caso de ausência de tratamento, ou negligência, muitas pessoas podem ter descamação e bolhas que resultam em feridas. Isto por sua vez, na ausência de cuidados, pode ocasionar infecções bacterianas.

As ictioses adquiridas:

Este caso de ictiose pode ser motivado por algumas disfunções internas do organismo, como hipotireoidismo, sarcoidose, AIDS, diabetes, linfoma de Hodgkin, dentre outras enfermidades.

Ainda há relatos de pessoas que adquiram este problema após fazer uso de alguns medicamentos específicos como fenilpropilcetona ou ácido nicotínico.

Como a ictiose adquirida se manifesta na fase adulta, sempre é bom estar atento a qualquer mudança no aspecto e/ou textura da pele.

Como se prevenir da ictiose?

Em caso de ictiose hereditária não há forma de prevenção, apenas de cuidados paliativos da enfermidade.

Entretanto, para as duas formas da doença é recomendado a baixa exposição ao frio, a diminuição do tempo de banhos quentes e a atenuação de uso de sabonete.

Tais comportamentos auxiliam na redução do ressecamento da pele e assim, os incômodos são pouquíssimos.

Ademais, é importante evitar escovas, lixas e buchas durante o banho. Estas atitudes visam controlar os sintomas da doença.

Tratamentos da enfermidade

Os tratamentos da doença consistem em duas frentes, de acordo com o tipo da enfermidade, vamos observar de forma mais detalhada como isso ocorre.

Tratamentos para ictioses hereditárias:

Geralmente, nestes casos os pacientes iniciam a medicação ainda na tenra infância.

São utilizados produtos dermatológicos com alto teor de vitamina A, além de pequenas pílulas com este tipo de substância na sua composição.

Tratamentos para ictioses adquiridas:

Caso a enfermidade seja desencadeada pelo uso de algum medicamento, o tratamento com o remédio é imediatamente interrompido.

Além disso, é receitado para o paciente, hidratantes com ingredientes específicos como óleo mineral, vaselina, lactato de amônio, ácido salicílico, ureia, dentre outros compostos.

A aplicação destes produtos deve ocorrer logo após o banho, de preferência com a pele úmida, a fim de maior absorção do creme.

Em caso de excesso de produto, o mesmo deve ser retirado vagarosamente com uma toalha, a fim de não agredir a pele do paciente.

Em ambos os tipos da doença há algumas recomendações simples que podem ser seguidas pelos pacientes, como:

  • É prudente evitar banhos longos e demorados, já que eles ajudam a ressecar a pele;
  • Não é recomendado aos portadores da enfermidade banhos em ofurôs, banheiras ou hidromassagens. Isto pode sensibilizar a pele e piorar o quadro dos sintomas;
  • É indicado a utilização de sabonetes com pH neutro, a fim de manter certa hidratação da pele;
  • Sempre que possível, em caso de descamação do couro cabeludo, é bom pentear e retirar os excessos de escamas da cabeça;
  • Além disso, é indicado esfoliar (com produtos prescritos pelo médico) as regiões mais secas do corpo, para desta forma, retirar as camadas “mortas” de pele.

Tanto em situações hereditárias, quanto em doenças adquiridas as pessoas que correm risco de desenvolver alguma infecção bacteriana devido a ressecamentos devem, sob supervisão médica, consumir antibióticos por via oral.

Complicações em caso de negligência

Infelizmente, sabemos que muitas pessoas deixam a saúde para depois e acabam optando por soluções caseiras, muitas vezes ineficazes, e a automedicação.

Esta última, por sinal, é amplamente desaprovada por toda a classe médica, uma vez que pode ocorrer intoxicações, piora do quadro clínico e até envenenamentos.

A falta de cuidado para com a ictiose pode ocasionar diversos problemas como:

Algumas infecções

Todos sabemos que a pele é o maior órgão do corpo humano e em caso de ferimentos, ainda que pequenos, porém não tratados, é possível que sejam desencadeadas feridas mais sérias.

Assim, o corpo fica exposto à agentes externos que podem causar desde pequenas infecções até infecções mais graves.

Problemas respiratórios

A pessoa portadora dessa enfermidade, possui a pele muito seca e rígida.

Isto pode dificultar o processo respiratório, pois atrapalha os movimentos naturais de órgãos como os pulmões. É necessária maior atenção em crianças e recém-nascidos.

Desidratações

Conforme supracitado, devido ao ressecamento e rigidez da pele destes pacientes, alguns deles não transpiram de forma correta, assim, acabam ingerindo pouquíssima quantidade de líquidos e isso pode, infelizmente, acarretar em desidratações.

Problemas emocionais

É comum pessoas com ictiose precisarem de auxílio psicológico e suporte emocional, uma vez que, visualmente, eles possuem a pele manchada, ressecada e alguns casos mais sérios, desfiguradas.

Diferentemente de outras situações, a ictiose não surge devido a estresse ou questões emocionais.

Conforme já explicamos, ela possui outras causas; o que aqui está sendo pontuado é uma das consequências da enfermidade na vida dos indivíduos portadores da doença.

Alguns pacientes inclusive desenvolvem quadros de ansiedade, baixa autoestima e depressão.

Muitos afirmam não conseguir se olhar no espelho, nem ter relações íntimas, além de evitarem sair para locais como praias e clubes.

Excesso de calor

Há casos de pessoas com ictiose que têm as glândulas sudoríparas bloqueadas, ou seja, ocorre muita dificuldade no processo de transpiração corporal.

Dessa forma, não há o resfriamento correto do corpo do paciente.

Além das complicações já citadas, em alguns casos, os portadores da doença que não estão com a enfermidade sob controle podem apresentar febre, confusão mental, náuseas e vômitos.

Em situações deste tipo, é necessário que a pessoa seja encaminhada para o pronto-socorro imediatamente, a fim de sanar os sintomas e começar o tratamento de forma assertiva e rápida.

Para evitar essas “crises” e contratempos, é se suma importância prosseguir o tratamento adequado e manter a pele bem higienizada e hidratada.

Questões emocionais relacionadas

Vamos adentrar um pouco mais neste assunto de suma importância para os portadores de ictiose, seus amigos e familiares.

Anteriormente, citamos que alguns pacientes dessa enfermidade passam por problemas psicológicos devido a questão visual da doença.

Mesmo que não convivamos com alguém nesse estado, através da leitura desse artigo é possível perceber que os transtornos físicos são aparentes e isso incomoda demais os indivíduos, privando-os muitas vezes, de ter uma vida social saudável.

Pessoas que têm doenças de pele, infelizmente, ainda hoje no nosso país costumam sofrer muito preconceito.

Muita gente olha para esses indivíduos e os consideram desleixados e até anti-higiênicos, entretanto, sabemos que essa enfermidade não tem relação com nada disso.

Ademais, é importante que tenhamos informações corretas e seguras, como as que estão nesta matéria, em jornais, revistas e sites confiáveis, para que mitos e preconceitos sejam desmoralizados e extintos de uma vez por todas.

Pacientes que têm:

  • Ictiose;
  • Dermatite atópica;
  • Albinismo;
  • Vitiligo
  • E outras enfermidades na pele.

Passam por diversas situações diárias de discriminação, ridicularização e até ofensas.

Ainda vale ressaltar, que estas doenças supracitadas e muitas outras existentes, por mais que estejam expostas na pele, não são contagiosas.

Ou seja: ninguém precisa correr ou evitar se sentar ao lado de outra pessoa no ônibus, só porque a pessoa tem machas ou descamação na pele.

Nos detemos um pouco nisto, para que todos tenham a consciência e empatia com os pacientes de doenças como a ictiose.

Isso é necessário para uma vida em sociedade mais humana, solidária e justa.

Conclusão

Conforme vimos nesta matéria, existem diferentes tipos de ictioses.

Para um diagnóstico rápido, correto e preciso, salientamos a necessidade de orientação médica.

Você já sabia o que é ictiose, suas características e tratamentos? Gostou deste artigo? Conte pra gente nos comentários.

E divulgue esse conteúdo para seus amigos e familiares através das suas redes sociais. Afinal, conhecimento sobre saúde sempre é muito bem-vindo.

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